Investindo em Empresas – Governança Corporativa

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Ao pensarmos no investimento a longo prazo, em empresas listadas na bolsa de valores, é necessário se atentar à algumas premissas importantes. Uma delas é entender que, quando compramos uma ação, estamos nos tornando sócios de uma empresa e temos, literalmente, uma parte dela em nossa carteira. Por conta dessa relação, é de extrema importância sabermos como a empresa é gerida e como os diretores tratam seus acionistas. Para isso, antes de analisarmos os resultados e dados dos balanços financeiros, precisamos saber como são as práticas de Governança Corporativa dessa instituição.

Governança Corporativa nada mais é do que o sistema que dita a forma com que as empresas se relacionam, tanto internamente, quanto com os seus acionistas e órgãos regulamentadores. Dentro deste conceito, existem alguns mecanismos e processos que demonstram diferentes níveis de governança das companhias.

Falarei aqui sobre pontos importantes que vejo serem necessários para auxiliar o investidor a identificar boas empresas.

 

Ações ordinárias (ON)

Um dos sinais de boa governança corporativa é a composição de 100% do capital social em ações ordinárias.

Embora as ações preferenciais (PN) tenham prioridade na distribuição de dividendos, as ordinárias (ON), por proporcionarem direito a voto nas assembleias, possuem maior valor intrínseco quando levamos em conta os fundamentos das companhias de capital aberto. Existe uma maior incerteza da composição de valor de empresas que possuem grandes quantidades de ações preferenciais, uma vez que não existe prêmio aos acionistas pelo controle.

Um acionista que compra uma ação ON possui exatamente a mesma ação que os controladores e majoritários, pois é ela que os garante controle. Com essa premissa, conseguimos entender melhor a proteção em cima das ON’s, pois, se algo acontecer, as pessoas que serão protegidas com prioridade são os controladores e detentores de ações ordinárias.

A principal relevância quando o assunto é ações ordinárias não é necessariamente a sua definição de ter direito a voto nas assembleias, mas sim o que isso causa: proteção e diminuição do risco.

Tratando de investimento em ações, temos que entender a necessidade de nos proteger utilizando todos os métodos disponíveis, como a diversificação, margem de segurança e escolha dos melhores ativos.

 

Free-float de ações ordinárias

O free-float nada mais é do que a porção das ações de uma empresa que estão disponíveis para negociação em bolsa. É muito comum as empresas manterem grande parte de seu capital social em tesouraria ou na mão de poucos majoritários.

Penso da seguinte maneira: se uma empresa dispõe apenas 5% de suas ações ordinárias para acionistas minoritários, ela não está preocupada em ter sócios que participem das decisões da empresa e, se uma empresa não se importa com minoritários, por que você investiria nela?

O problema, ao meu ver, não se limita a esse pensamento, mas também no sentido de que uma empresa que possui um número grande de acionistas tem maior preocupação em apresentar bons resultados, seu compromisso se torna muito maior do que uma que se reporta apenas para um majoritário que possui a grande maioria das ações.

 

Novo Mercado

Quando uma empresa se torna pública, ela é listada em um segmento específico da B3. Cada segmento possui regras de governança corporativa diferentes.

O Novo Mercado foi introduzido em 2000. desde então ele é o segmento de listagem com nível mais alto de governança corporativa. Para uma empresa estar incluída no Novo Mercado, ela deve possuir apenas ações ON com tag-along de 100%, 25% de suas ações em circulação no mercado (ou 15% se tiver um volume menor de negociações diárias), além de políticas rígidas de divulgação de informações, composição do conselho administrativo e várias outras regulações que protegem o investidor.

Para entender todos os requisitos das empresas para estarem no Novo Mercado, assim como fazer um comparativo com os outros segmentos de governança e visualizar onde cada empresa se encontra, visite o site da B3 clicando aqui.

 

Proteção e controle de risco

A renda variável nos leva a uma chance de obtermos retornos superiores em relação aos investimentos de renda fixa. Contudo, essa ideia vem atrelada a riscos maiores.

É dever de todo investidor em renda variável se proteger e existem diversas formas de minimizar significativamente os riscos e, muitas vezes, o próprio mercado fornece ferramentas de proteção ao investidor, como as que eu trouxe neste artigo.

Assim, antes de investir em uma empresa, saiba como ela trata os seus sócios, entenda que tipo de cobertura ela lhe oferece, quais são as chances de algo acontecer e você ficar desprotegido.

Ao minimizar os riscos, conseguimos ter resultados melhores e mais seguros no longo prazo. É possível, sim, lucrar com segurança na bolsa de valores, só depende de você!

Conte com a ajuda da Clínica do Enriquecer para tirar dúvidas, esclarecimentos e aprender a investir em boas empresas!

Agende sua visita em: contato@clinicadoenriquecer.com

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